Sempre quero escrever de madrugada, mas de madrugada sempre tenho sono. A teimosia me é suficiente para escrever não mais que, sei lá, umas quinze linhas.
Sonho mesmo é em poder escrever enquanto sonho, escrever o que eu sonho. Se sonho dormindo ou se sonho acordada pouco importa, quero relaxar o corpo e transformar ação em prosa e em poesia. É sempre o contrário, já cansei dessa mesmice de ver livro virar filme, quero ver os filmes que correm na minha cabeça virando livros.
Quero dormir para sonhar mais e quero permanecer acordada para escrever mais. Quero sonhar enquanto escrevo e escrever enquanto eu sonho.
Quero viver de escrever, escrever para viver, quero escrever enquanto como e sobre o que as coisas eu como, sobre o que vejo e como as vejo, sobre quem sou e quando sou, mesmo quando quero ser alguém que só sou por querer. Fantasia.
Até ontem não sabia o que queria, mas aí quis saber e resolvi querer o sempre quis: escrever.