Depois de quatro anos morando sem carro em Brasília já é sabido que dificilmente entre os meses de janeiro e março será possível chegar em casa sem ter pegado chuva ao longo do dia. Hoje quase perdi o chinelo do pé direito na enxurrada da W3, rua daqui que não possui escoamento para água. Um moço solícito a salvou a tempo para mim, mas não sem antes brigar comigo por tê-la deixado sair do pé e não ter corrido atrás para tentar alcançá-la... Acho que ele não percebeu que a minha calça caía enquanto eu carregava duas sacolas de mercado na iminência de rasgar e um casaco enrolado no pescoço porque não deu tempo de vestir.
Se não fosse a chuva, teria dito a ele que muito obrigada a gentileza de ter se esforçado pra pegar, mas é que já não me importo mais se molho a barra da calça (ou mesmo a calça inteira) no caminho de volta pra casa, ruim mesmo é quando tem que ir pro trabalho e a chuva dificulta.
Ah! Quem sou eu pra reclamar sobre o clima e o tempo dessa cidade?! Estamos na mesma, afinal... Quando a gente se cansa de ensolarar para as pessoas porque elas só reclamam do nosso calor é comum se deixar nublar. O tempo fecha, a gente chora, mas logo passa, a gente abre um sorriso e se ilumina outra vez, né? Nem sempre por muito tempo, daí chove de novo, respira, chora outra vez, até se erguer novamente e abrir espaço entre uma nuvem e outra pra deixar nosso sol brilhar.
Algumas pessoas se acostumam e nos amam apesar da instabilidade, outras nos toleram porque precisam e, por nossa sorte, quem não gosta mesmo da gente tem passe livre pra buscar outro canto pra viver.