Há mais de ano te prometi um certo presente de natal, você sabe o que é. Vim te dizer que ele está sendo produzido agora. Sim, neste exato momento.
Peço desculpa pela demora.
É que a vida é correria, sabe? Acordar pulando da cama porque o relógio às vezes parece que conta rápido demais os segundos e, nesse balanço, umas três vezes por semana acontece até de esquecer de preparar algo pra comer ao longo do dia. Descer as escadas de casa correndo, calçar o sapato entre um degrau e outro, apressar o passo pra não perder o ônibus - e você sabe como é quando a gente perde o ônibus - entrar nele lotado, já suado e cansado de um dia que ainda nem começou. Impossível checar as mensagens, escrever um texto ou ler um livro. Tem que se concentrar pra não cair a cada freada que o motorista dá por causa do trânsito...
É que o trânsito é correria, sabe? Semáforo é tipo relógio, mas às vezes parece que conta devagar demais os segundos, daí quando acende aquela luz verde, todos os veículos estão atrasados demais. Umas três vezes por semana acontece pelo menos um acidente aqui no bairro. Os carros descem as avenidas correndo, os motociclistas cruzam entre um carro e outro. Apressar o passo pra não chegar atrasado ao serviço - e você sabe como é quando a gente chega atrasado ao serviço - encarar a cara feia do chefe, que já está suado e cansado de um dia que ainda nem começou. Impossível checar as mensagens, escrever um texto ou ler um livro. Tem que se concentrar pra cumprir os prazos a cada bronca que o chefe dá por causa dos lucros perdidos...
É que o trabalho é correria, sabe? Mas vou me eximir de utilizá-lo como desculpa pelo atraso, porque eu nem saberia por onde começar.
Acho que demorei também porque eu não sabia direito o que fazer. Dúvida.
Acho que você percebeu. Dívida.
Não sei se cabe no seu presente essa promessa do passado, mas hoje é mais fácil sem o cheiro de alfazema impregnado nos móveis e nas incertezas.
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